Copa das Confederações / Política

O governo não é a FIFA

A afirmação de que a FIFA estaria pensando em cancelar a Copa das Confederações por conta das manifestações é algo a ser pensado. A notícia divulgada pelo Estadão e outros grandes jornais sobre essa ser a Copa mais cara da história (e, portanto, a mais superfaturada) também causa preocupações. De um lado, não é aconselhável parar um evento que já gastou tanto dinheiro público e, muito menos, hostilizar jogadores e turistas. Do outro, uma CPI séria deveria ser instaurada para averiguar esses gastos exorbitantes.

O foco das manifestações não pode ser a FIFA, mas sim o governo e sua corrupção. Embora já tenha sido desmentida a afirmação de que a Itália estaria pensando em deixar o Brasil, casos como terem furtado os jogadores espanhóis e terem apedrejado um carro da FIFA não podem ser repetidos. O problema do Brasil não é eles estarem aqui, mas sim a forma como eles vieram parar aqui. O superfaturamento da Copa é o assunto a ser questionado, portanto, é um fator ligado ao governo. Sem contar que, com o cancelamento da Copa do Mundo no Brasil, o país teria que pagar uma multa milionária por isso.

Outro problema dessas manifestações, que na sua origem são legítimas e devem ter todo o apoio do povo, são as divergências gritantes que estão sendo observadas. Alguns manifestantes estão confundindo apartidarismo com antipartidarismo. O segundo foi o que vimos durante a Ditadura Militar e nossos pais e avós lutaram com afinco para assegurar nosso direito de poder nos mobilizar politicamente novamente. O anarquismo, como temos provas concretas com essas manifestações, também não é uma saída. O caos reinaria.

A questão da violência, mais que difundida e explorada, também é algo a ser reavaliado. Está mais do que óbvio que existem grupos infiltrados na multidão pacífica para causar confusão e violência. Essas pessoas são, na sua maioria, traficantes, ladrões, alguns manifestantes crentes que a violência é a salvação do Brasil e é possível que também tenha gente mandada por partidos políticos. Contudo, essa violência desmedida serve apenas para enfraquecer o movimento e amedrontar os manifestantes pacíficos, os quais buscam apenas assegurar seus direitos de cidadania.

A brutalidade da polícia também é algo que assusta. Por que atacar a todos os cidadãos, mesmo quando está mais do que claro que estes não são os vândalos? A polícia está despreparada para lidar com a população, ainda muito truncada na época da ditadura. Casos de exagero são mais do que observados e só terminam por causar mais repulsa entre a polícia e os manifestantes. É óbvio que eles devem conter os vândalos, mas, para isso, tem que aprender a diferenciá-los, não sair repreendendo a todos na rua.

Portanto, muitas coisas devem ser repensadas nesses protestos, embora não devam parar. O Brasil acordou depois de 11 anos deitado em berço esplêndido e deve continuar amadurecendo sua democracia. Contudo, depredar patrimônio público, agir com extrema violência e hostilizar trabalhadores (sim, os jogadores e a FIFA estão aqui a trabalho. Foi o Brasil que pediu para sediar a Copa, mesmo que tenha sido por interesse dos governantes corruptos). Temos que lutar pelos nossos direitos de cidadãos, mas com consciência e de forma pacífica.

Veja também a opinião do Rica Perrone aqui.

Por Laís Napoli

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